QUANDO CHOVE EM MIM
Eu saio de casa, na chuva,
sem proteção alguma,
depois de tudo o que dissemos
e que nos magoamos
e ainda chove em mim.
Eu me abstraio na paisagem,
no asfalto molhado,
pensando em tudo o que dissemos
sem pensar em nós
e ainda chove em mim.
Eu sigo as placas rabiscadas
pelo vento forte,
quisera eu ser forte assim
mas não sou nada
e ainda chove em mim.
Talvez a chuva me abrace
nessa longa estrada
ou numa curva errada,
talvez um dia a chuva cesse
de cair em mim.
Eu vejo a curva na estrada,
é a faixa errada,
deveria estar voltando,
mas eu não estou
e ainda chove em mim.
Por que você não compreende
que eu não compreendo?
Por que a vida tem que ser
tão complicada como a chuva
que ainda chove em mim?...
Quando chove em mim,
e a tristeza vem
tenho que reconhecer, chegou ao fim.
Nosso cordão partiu-se em dois,
é impossível consertar...
É muito tarde e ainda chove em mim...
Frodo Oliveira
Publicado no Recanto das Letras em 10/08/2007
Código do texto: T601659
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