Se Vá
Não te quero mais, simples assim.
O que quer ainda e insiste em dizer para mim?
Não quero ouvir, sua voz me enjoa, não diga nada.
Como podia numa masmorra se dar um conto de fada?
Que tola eu fui, em pensar que seria você.
Meu príncipe veio em forma de verdugo, quem crê?
Sua espada uma verdasca, seu carinho um escarmento.
Seu poema era uma repreensão, e seu cavalo um jumento.
O trono era seu, a mim cabia o chão duro e frio.
Não possuía conforto em seus braços, mas tão somente
a tristeza de ser inferior, a dor de um olhar vil.
Não quero isso para mim, não nasci para perpetuar tal semente.
Vou me refazer, vou me reinventar. Consultarei a astromancia.
Não inventou você minha escravidão, minha agonia?
Eis que lhe apresento, agora, com um sorriso, minha carta de alforria.
Aprendi a dizer não, e não faz idéia da minha tamanha alegria.
Seu tirano, falso soberano, prepotente.
Seu abutre, pensas que és onipresente?
Se descobrisse meus segredos ficaria valente.
Mas contra quem lutaria?
Não entendeu? Não irei te ouvir...
Aquilo não era amor, idiota! Era um sentimento pagão.
Aquilo tudo nunca mais quero sentir...
Hoje meus sentidos estão não na sua, mas só em minha mão!
Como pude ser tão tola? Agora vá.
Pegue suas coisas, pegue tudo e se vá.
Não quero você, entende. Vá!
Nada ficará.... Se vá.
Sarinhaspk
Publicado no Recanto das Letras em 03/07/2008
Código do texto: T1063299
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