DOCE TORTURA
Delicioso acordar perto do amante
-sua fragrância masculina no meu pube-
o vestígio do relho, persistente,
e o desejo como brasa não combusta.
Ele dorme -inocente- mas não sabe
que o prazer já recebido inda não basta:
toda ninfa deve ser acalentada,
meu lamento um balido sem resposta.
Por que fundo ele sossega e não me ouve?
Seu respiro me acalenta desde cedo…
na demora o meu corpo fica mudo
e minh'alma se derrete como neve.
Não vou longe, meu querido, fico perto:
a cadeia que meus pés tanto encarcera
é grinalda de papoulas de ceara,
mais deleite é pra mim se mais me aperta.
Nessa ara, do mais caro dos perfumes sete
gotas e alfazema puríssima de horta
implorando o deus do sono -possessivo-
que te deixe, te liberte, te desate.
Com tua corda me segure, forte amigo:
minhas carnes não suportam liberdade,
essa espera é suplício sem sorriso…
teu domínio será doce, meu verdugo!
PRÍNCIPE DO PRAZER
Publicado no Recanto das Letras em 15/05/2008
Código do texto: T990244
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