Ponte esquecida...
Sou uma velha ponte de ferro
Por mim não há mais quem passe
Vivo esquecida no rio
Enferrujada a sofrer
Pedindo que alguém me olhe
E não me deixe morrer
Se hoje estou abandonada
Não compreendo o por quê?
Sempre uni minha cidade
E não quero perecer
Sou patrimônio histórico
E ninguém deve esquecer
Se você bem me entender
Vai ver que tenho razão
De chorar e suplicar
Seu olhar e atenção
Pra me revitalizar
E recontar minha história
Eu sou linda e charmosa
Faltam-me apenas cuidado
Me usaram e abusaram
Já não tenho mais valor
Nasci pra trazer progresso
Pra cidade do Natal
E quero sempre estar viva
Servindo a este lugar
O rio me cobra a beleza
Que o tempo me roubou
Me cobra também a alegria
Do povo que aqui passava
E as cores que inspiravam
Os poetas que me olhavam
Ponte velha é o que sou
Não tenho mais serventia
Se um dia fui tão útil
Como estou tão esquecida?
Faço parte da história
De nossa Natal querida
E sonho em voltar a ser
A ponte que já fui um dia...
Carvalho/janeiro -2008
Texto dedicado a velha ponte de ferro do Rio Potengi
Maria de Fátima Alves de Carvalho
Publicado no Recanto das Letras em 02/07/2008
Código do texto: T1062438
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Meu Deus, que talento! Nem mesmo uma velha ponte passa despercebida...Menina, você é pura poesia, verso e prosa!`Parabéns! Com carinho, Rose
O descasso com os nossos patrimônios é um absurdo.Um forte abraço.
03/07/2008 22h51 - Tristão de Alegrette
Maria de Fátima, andei lendo seus escritos e adorei (alguns nem tanto), mas o que me intrigou na verdade foi perceber que tu usa muito a água (rio-chuva), campo, flores, arco-íris. Dá a impressão que és interiorana e saudosista. Não sou psicólogo, longe disso, mas aposto um palito de fósforo contra uma caixa (se eu perder, fica barato), que essa minha suposição é verdadeira. Abraços.