O Pé de Fruta Pão
Uma árvore frondosa no quintal
Uns galhos que vinham até o chão
Nada mais gostoso para o café matinal
Nada mais gostoso que uma fruta pão,
Uma vara e um puçá
E uma boa vontade de pescar.
Anda menino! Pega a fruta pão!
Gritava a mãe solenemente...
E o garoto tanto feliz, tanto bufão
Escolhia devagarzinho e contente.
E, para não estragar a fruta,
Não sacudia, usava uma vara curta.
Casa de pobre é assim mesmo...
Gritava o estabanado curumi.
Quem não tem quintal, corre a esmo
Quem não tem mangueira, planta abacaxi
Tempo de vacas gordas no pasto
Tempo de caravela e mastro.
E assim volta-se aos bons tempos
Corre-se pela estrada beirando o rio
Guarda-se no peito os bons momentos
Pois, se a estrada era larga, hoje é um fio
São tantas as lembranças, tantas...
São tontas as tontas lembranças tantas.
Uma fruta que de longe veio
Muitas saudades deixa no peito
Reviver momentos no devaneio
É sonhar um passado que não tem jeito.
Mas, por que a busca do passado distante,
Se a vida continua sempre adiante?
Ubirajara Sá
Publicado no Recanto das Letras em 03/11/2009
Código do texto: T1902017
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