Texto

Angélica


 
Numa tarde de outono
Não sei bem qual o mês
Chegando da roça
Vi. - ou será que era um sonho?
Delicadeza de corça,
Olhos de sono
Segredos guardavam.
Talhe de princesa, negros cabelos, anelados
Cascatas formavam,
Tua nuca encobrindo.
Perdi-me de vez – ao olhar de viés,
Tu me estavas sorrindo.
 
Nem por príncipe me tinha.
Um sapo? Quiçá.
De tua boca, música me vinha
Assaltando-me em ondas.
Amar-te? Que idéia mais louca!
 - Não tens em que mais pensar?
Caminhos diferentes, na vida tu tinhas.
Não sei mais onde andas;
Nem de mim tomo tino.
Os amores do Homem,
Não importa o rumo que tomem
 Não os olvida o Menino.
 
Perfumada pelo cheiro doce do cajá, Angélica tomou conta de meus dezessete anos. Hoje, falo dela, ainda embevecido pelo lembrar de sua beleza rústica de camponesa.

Vale do Paraíba, Novembro de 2008

  João Bosco (Aprendiz de poeta)

Aprendiz de Poeta
Publicado no Recanto das Letras em 04/11/2009
Código do texto: T1904363

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Sobre o autor
Aprendiz de Poeta
São José dos Campos/SP - Brasil
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