Texto

 
 
                                
 
Cacau da Minha Infância 
 
Desde que nasci sempre estive entre os cacauais
Mas, o Tempo é Senhor da razão
E tudo muda e muitas coisas mudam e não voltam mais
Como não voltam aquelas árvores a começar pelo jambeiro.
 
Meus verdes anos de inocência e alegria a correr pela fazenda
Adentrava por entre os cacauais, descobria nos gravatás os ninhos
A casa de farinha, a mandioca, o burro na moenda...
Papai e os trabalhadores torrando  a farinha e mamãe fazendo os beijuzinhos.
 
Mas, o que movia nossas vidas eram os frutos de ouro
Cacau  dos pés para barcaça e depois na sacaria para o caminhão
Naquele tempo sem a maldita vassoura de bruxa, cacau era um tesouro
Agora me restam as lembranças que eu guardo com emoção.             
                                                                                                         
Para meu consolo, tenho um pé de cacau, mesmo aqui na cidade
Ele vive a florear minhas lembranças e sempre tem um fruto para eu degustar
Suas folhes verdes como a esperança, ao fitá-la tenho felicidade
Solitário coitado, sem o canto dos pássaros, sem o murmúrio da fonte a cochilar.
 
Mas, tem a minha presença, o meu carinho, o brilho do sol, o olhar da lua...                           
Cacau da minha infância, cacau das minhas lembranças
Aqui é tudo tão diferente, e como é agressivo e hostil  o barulho da rua
Cacau de um tempo festivo e sem maldades, eu ainda usava tranças.

Fotos tiradas por mim

RosaAmbiance
Publicado no Recanto das Letras em 04/11/2009
Código do texto: T1904606

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Comentários
09/11/2009 20h32 - Volnei Rijo Braga
Nos anos que eu passei no Sul da Bahia, foram anos felizes para mim, e tudo o que aprendi sobre a natureza eu aprendi entre pés de cacau e outras arvores nobres deste imenso Brasil o verdadeiro amor pela natureza e o motivo e bem simples, aqui a gente aprendeu a viver entre Eucaliptos e Acácias e alguns pés de Pinheiros, por isso eu amei este texto que acabo de ler, meus parabéns... abçs
09/11/2009 12h32 - Henricabilio
Alimentamo-nos de memórias e assim conseguimos ser nós todo o tempo. Belas Fotos! As árvores de fruto também estão sempre na minha recordação. Um abraçooo! Abílio
08/11/2009 23h17 - Nicolás Alberto
Belíssima e delicada homenagens aos tempos idos... Parabéns!

Sobre a autora
RosaAmbiance
Itabuna/BA - Brasil
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