Cacau da Minha Infância        Desde que nasci sempre estive entre os cacauais Mas, o Tempo é Senhor da razão E tudo muda e muitas coisas mudam e não voltam mais Como não voltam aquelas árvores a começar pelo jambeiro. Meus verdes anos de inocência e alegria a correr pela fazenda Adentrava por entre os cacauais, descobria nos gravatás os ninhos A casa de farinha, a mandioca, o burro na moenda... Papai e os trabalhadores torrando a farinha e mamãe fazendo os beijuzinhos. Mas, o que movia nossas vidas eram os frutos de ouro Cacau dos pés para barcaça e depois na sacaria para o caminhão Naquele tempo sem a maldita vassoura de bruxa, cacau era um tesouro Agora me restam as lembranças que eu guardo com emoção. Para meu consolo, tenho um pé de cacau, mesmo aqui na cidade Ele vive a florear minhas lembranças e sempre tem um fruto para eu degustar Suas folhes verdes como a esperança, ao fitá-la tenho felicidade Solitário coitado, sem o canto dos pássaros, sem o murmúrio da fonte a cochilar. Mas, tem a minha presença, o meu carinho, o brilho do sol, o olhar da lua... Cacau da minha infância, cacau das minhas lembranças Aqui é tudo tão diferente, e como é agressivo e hostil o barulho da rua Cacau de um tempo festivo e sem maldades, eu ainda usava tranças.
Fotos tiradas por mim
|
| RosaAmbiance |
Publicado no Recanto das Letras em 04/11/2009
Código do texto: T1904606 |
Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.