VIAGEM BIPOLAR
Nas ladeiras sinuosas
Que avisto todos os dias
Deposito minha coragem e ousadia
Pontilho o chão de luzinhas.
Como uma pista de vôo
Sem nunca decolar ou pousar
Só para ver e saber o percurso
E sob a neblina ainda vejo seu brilho
E sob a chuva ainda vejo seu brilho
Em meus cansaços
Enfraqueço a trilha
Em meus absurdos
Desmantelo a ordem
Desço velozmente, sobressaltada.
Tão fugaz em risos!
Uma alternância de temperamentos
Hora subo lentamente, desconectada.
Como uma viagem bipolar,
Sem saber onde parar.
Gladys Ferreira
Publicado no Recanto das Letras em 03/07/2008
Código do texto: T1063370
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