Texto

Dobras do Cotidiano


Não deixar a vida perder-se
silenciosamente
no espectro de seu inverso;
porque poucos o traduzem
ou têm coragem para gritar o indizível.

Clamor em ondas de silêncio
do inaudito,
frio
ou mequetrefe,
que se revelem!

O oposto do belo
é a beleza crua
a se desvelar
na crueza das dobras do cotidiano.

Pelo gargalo
ou pelo ralo
ainda há pulsação
autêntica.

Pela estética do que difere
ou que também e ainda
fere!



Ana Paula Perissé
Publicado no Recanto das Letras em 04/07/2008
Código do texto: T1064802

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Comentários
04/07/2008 22h04 - Daniel
realmente, cara poetisa, a beleza esta bem longe deste padrão atual que nos é imposto.

Sobre a autora
Ana Paula Perissé
Rio de Janeiro/RJ - Brasil, Escritora Semi-profissional
106 textos (1908 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 12/10/08 12:00)

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