Texto
A poesia emerge do fundo do poço
No fim do túnel nenhuma luz
A noite é lúgubre
Tudo está perdido
O coração do poeta louco sangra vinho
Apenas um pálido esboço
Do que está por vir
Palavras afiadas como navalhas
Rasga o véu da hipocrisia
As carpideiras fazem a festa com as mortalhas
E os abutres voam baixo
Prontos pra engolir o sonho putrefato
O vazio do silêncio absurdo
Reina absoluto
Na cidade que adormece
A poesia das sarjetas
Entoa o canto do desencanto
Nas esquinas malditas
Madrugadas envoltas em degradação 
Desnuda a alma
Desmascara o mais sórdido desejo
Miséria e vício
Assim como a perdição  
Vem a tona
Auto-destruição
Estampada na cara
Lama no caminho






















Gladston Salles
Publicado no Recanto das Letras em 04/07/2008
Código do texto: T1065095

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Comentários
02/08/2008 14h30 - Ivonir Leher
Meu amigo, simplesmente MAGNIFICO! Delícia de poema. Lembra a obra de um grande poeta aqui do sul, JAIME VAZ BRASIL, parceiro aqui do Recanto, passa lá e dá uma espiadinha. Recomendo. Realmente Parabéns pelo poema.
19/07/2008 10h38 - Silvana Inkes
Adorei.....
05/07/2008 15h48 - Vania de Castro
Caro poeta, vim retribuir a visita e gostei muito do seu poema...não sei se viajei demais, mas me lembrou Os Miseráveis...leitura que fiz e muito me emocionou e ao assistir o filme, também, tocou meu coração... ao andarmos pelos grandes centros urbanos em pleno século XXI vemos e sentimos na pele cada letra do seu poema!Grande abraço.

Sobre o autor
Gladston Salles
Rio de Janeiro/RJ - Brasil, Escritor Amador
79 textos (4451 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 29/08/08 18:18)

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