COISAS ESTRANHAS
A faísca do rio
incendiou as cidades
ao brilho das águas
com os raios do sol
e pelo fogo da serra.
Os ventos de Marte
levaram as folhas,
os vales e sapos,
as pedras e peixes
para as outros planetas
sem vida e sem ar.
O galo vermelho
falou aos humanos
na noite sombria
do raro silêncio,
da lua chorosa,
dos cabelos dourados
e do caminho perdido.
Os urubus amarelos
comeram os frutos
da mão da criança,
que brincava no campo
dos cravos pintados,
da relva gigante,
das flores vestidas
e das ervas marrons.
O poeta alucinado
devorou as palavras
dos livros da terra,
das páginas claras
em tempos escuros,
que os olhos falaram
do algodão das nuvens
e do doce da chuva.
Rogério Medrado
Publicado no Recanto das Letras em 06/11/2009
Código do texto: T1908087
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