Texto

Na parede da memória

Da parede da memória fiz uma exposição.
Dos desamores não me privei,
recolhi todos os cacos que haviam no chão.

Convidei todos os meus amores
e inimigos também...
Em minha sala apertados,
certifiquei-me de que não faltava ninguém.

Ao fundo era Ameno a tocar,
e tira-gostos circulavam
disfarçando as obsessões presentes no lugar.

Fiz questão de um a um
a mão apertar e,
indaguei sem sarcasmo, juro!
O quadro que cada um mais estaria a apreciar.

Vi rostos corando e mãos a transpirar,
alguns desconversando
e outros a faltar-lhes o ar.

Vi Le chant balbuciando
e Natasha a lacrimejar,
o inconfundível sorriso irônico de Fernando
que apenas o riso solto do Neném não podia abafar.

Mediante as lisonjas sem o mínimo pudor,
mais incisivo tive que me mostrar,
confesso, neste instante caiu-me uma gota de suor.

A uns questionei:
- Olhe para o quadro, lembras das lágrimas?
De alguns escutei:
- Quebre este quadro e esqueça o passado.

Com outros relembrei:
- Vejam nosso quadro, quantos sorrisos rasgados!
- Bons tempos, tais sorrisos será que ainda verei?

Deste hipotético evento,
uma valiosa lição pude tirar,
aprendi a valorizar um simples momento,
mesmo que este no futuro suspiros não me venha arrancar.
Marcelo Maia
Publicado no Recanto das Letras em 27/01/2007
Código do texto: T360941

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Comentários
29/01/2007 17h46 - AC de Paula
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28/01/2007 21h20 - rita
Obrigado por me permitir ler td q escreve. Obrigado por toda essa semsibilidade q vc usa pra escrever. Bjs Fica com Deus.
28/01/2007 07h01 - Christina
Não poderia deixar de comentar nesta que tanto me chamou atenção, não sei se por auto-identificação ou por imaginar que tantas pessoas se identificariam com tal obra, confesso sem ao minimo de receio e digo com um ar de boba que essa é uma poesia coletiva, daqueles que tanto temem em pensar,e não deviam.Com certeza vale,a pena ter suspiros no futuro,do que um passado de nada suspirar.Parabéns,belíssima e contagiante obra.

Sobre o autor
Marcelo Maia
São Bernardo do Campo/SP - Brasil
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