Texto

IMORTAL


Não haverá noite, nem amanhãs...

Somente o ser.

Pisando no barro e

Cuspindo no sonho que lhe sobe pelas encostas,

Conduzindo estrelas e as dores curtidas

Nesta argamassa que lhe reveste os ossos.

A boca que segreda esquinas

Lambe

As feridas cruas,

Agora – um silencio de pedra

No assoalho das catacumbas,

O medo

Onde a lua veleja na lembrança e

Surge solitária e densa

Por detrás das araucárias – gênese sob a cruz.

E o calvário do olhar pentassílabo

Que padece enquanto navego este céu viandante 
Da noitidão da alma 
Que fecha as asas

Calando os malefícios e soluços

Dos nobres.

Recitando o Salmo e incorporando

O renascer do mundo

Caminho descalça pelo átrio

Desta quimérica Babilônia.

 

 

Luciah López
Publicado no Recanto das Letras em 18/04/2008
Código do texto: T951887

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Comentários
30/04/2008 21h31 - Chagoso
Me apaixonei por este poema... Até imagino ele sendo declamado sobre um fundo musical que bem poderia ser "Supernature" do Cerrone ou "Brothers in arms" Dire Streit. Nos dois casos, orquestradas apenas.
29/04/2008 19h41 - Helena Serena
Muito bonito...poético. Versos bem estruturados. Vc escreve com a alma e isso é muito bom. Parabéns!!!Bjssss
23/04/2008 23h19 - Luiz Lauschner
Linda construção, minha doce poeta. Majestosa poesia.

Sobre a autora
Luciah López
Curitiba/PR - Brasil
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