Diálogo com a Lua
“O mundo está louco”, pus-me a gritar
Pertinho das ondas, na beira do mar
“O mundo está louco”, gritei novamente
E a Lua me respondeu, silenciosamente,
- Louca és tu a gritar para a Lua
E se o mundo é louco para tu
Louca, para o mundo, é a existência tua!
“Lua maldita”, pus-me a gritar
Para a lua, na beira do mar
“Lua maldita” gritei novamente
E a Lua me respondeu, silenciosamente
- Maldita és tu a gritar para a lua
E se a Lua é maldita para ti,
Para o mundo, maldita é a existência tua.
“Sou louca e maldita.” Pus-me a pensar
Sentada na areia, na beira mar.
E, com fervor, pus-me a chorar.
“Louca e maldita sou para o mundo.”
E, durante esse pensamento profundo,
A Lua falou inesperadamente.
Do seu modo, silenciosamente:
- Ouça-me, criança bastarda,
Serás minha protegida.
Atravesses as ondas da minha vigília
E, sem medo, tome o mar morada tua
Para sua nova vida
Sob vigília da Lua.
E, lentamente, pus-me a caminhar
Para junto com as ondas, para o fundo do mar.
Leylyane Rafaela
Publicado no Recanto das Letras em 06/11/2009
Código do texto: T1908492