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Texto

| Algo estranho Vi seu corpo estirado na cama, Uma música suave tocava no quarto meio sombrio, Abri a porta bem devagar e fiquei contemplando, Mas ao mesmo tempo pensando, como estava frio..... Um leve odor sentia, e parecia perfume de amor, Sequer podia piscar, prá não acordar e denunciar minha presença. Mas que diferença. Havia algo estranho! As gavetas entreabertas pareciam querer conversar, A roupa jogada ao chão dava uma sentença. E a fumaça do cigarro que não queria cessar... Quarto fechado, uma poltrona em desalinho, Mas que diferença. Havia algo estranho! Um travesseiro branco de linho por entre as pernas. No guarda-roupa uma gaveta quebrada, E no corredor estreito uma pequena taça de vinho, E aquele vaso sem flor, o que está fazendo ali? Parece perdido no meio de tantos vidros de perfume. A caixa de jóias está aberta, Mas dá para ver que ao seu lado o batom permanece inalterado, Ainda não foi usado. Aquela música se repetia indefinidamente, Mas que diferença. Havia algo estranho! Afinal, por que a cama está tão suja? É possível que tenha adormecido, de tanto ter amado, Mas que pecado, o corpo está tão frio, Agora eu sei, mas não sei se terei forças, Para superar o inesperado..... |
| Lucelio Garcia |
| Publicado no Recanto das Letras em 19/07/2008 Código do texto: T1088349 |
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Sobre o autor

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Lucelio Garcia
Rio de Janeiro/RJ - Brasil
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