Vinhas de mim
Plantei para mim mesma,uma vieira...como se fosse uma vinhateira...
Um colibri de um horizonte distante me trouxe a semente..carreguei-a no colo,no solo de mim mesma. Quebrei todas as pedras que a circundavam e macetei a terra com meus pés,meu corpo,meu suor.Passei frio e calor,enxuguei minhas lágrimas de saudades das crias e achei que teria vinho....As uvas até Vi-ERAM.....passadas, carregadas de histórias que não contei e serenatas que não dedilhei...com a canção,cordas sextavadas....feito Sexta-Feira sem Paixão....Passagem inacabada,aleluia sem pés no chão...
Sentei com ela,minha semente e desatei meu des-aviso..que a Vida não é celebridade não...nem balão....mas levei minha semente e sua criança pra ver estrelas cadentes.....
Meu vestido Dulcinéia insistiu....Dom Quixote adormecia...a cada grito de minha semente,feito Sancho Pança,escudeiro fiel,de quem??? Miragens, Sancho Panço,
Caro Watson,companheiro também,de quem???
.
Veio o tempo da colheita....e com ela o arco-iris...insistindo,desatinando as cores de um tempo sem partida,mas também sem chegada...dicotomia azeda!
Cegueira das letras....Vinhateira....tem H.......mas Vieira, não!
Replantar????
Heloisa Maria
Publicado no Recanto das Letras em 07/11/2009
Código do texto: T1911044
Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.