Texto

O Veredicto

Quisera eu acusar-te por tua cruel indiferença para punir teu crime com o pior dos castigos, porém concedeu-me Deus a virtude da justiça e sei que pecado algum cometeste intencionalmente contra mim.
Deixa-me, contudo, fazer-te réu por um dia a fim de que eu possa observar-te da minha cadeira de juiz. Assim, quando nossos olhares se encontrarem frente a frente, verá o júri quanta diferença existe entre estes dois feixes de luz a partirem de nossas vistas.
Olho-te com o coração em chamas; palpita-me o peito de enamorada fúria. Pede-me o orgulho que dissimule tais sintomas, mas há muito que amo o belo dos teus traços e já me acostumei com as imperfeições de tua alma confusa.
Ao contrário de tudo, teu olhar atravessa-me como barreira invisível, pois és incapaz de me ver a qualquer distância. E de todas as causas de tua cegueira suporto melhor a crença de que, tão fechado estás dentro de ti mesmo que fizeste do espelho tua paixão única e antiga.
Não há chave que transponha a cadeia na qual te encerras; foste tu quem escolheste tal abrigo. Se não desejas que eu me aprisione contigo, inexistem meios que possam obrigar-te.
 Para o fim de nossa sessão solene deixa-me apenas dar teu veredicto: Estás em posse de teu livre-arbítrio e farás com teu coração o que bem desejares. Espero apenas que sejas frívolo o suficiente para não deixar que tuas vontades impossíveis dominem teu raciocínio.
 E a nós, pessoas das normas jurídicas que participamos deste julgamento, resta-nos apenas abaixarmos nossas cabeças e fecharmos nossos livros, pois é único o verdadeiro termo: Não existem leis que possam reger os sentimentos.
Larissa Lopes
Publicado no Recanto das Letras em 15/05/2008
Código do texto: T991405
Indique para amigos
Denuncie conteúdo abusivo



Comentários
22/05/2008 11h33 - Heráclito
Caramba! Não havia lido esse veredicto... ACho q agora compreendo Sartre qdo diz q o outro é o inferno... é pq estamos condenados ao tormento da liberdade. Ei... quero mais.
18/05/2008 01h05 - Lourenço de Oliveira
Bem vinda ao Recanto das Letras!
17/05/2008 12h19 - The Rain Song
...e que essas leis que possam regir os sentimentos nunca sejam criadas... Muito bom! Poesia sempre!

Sobre a autora
Larissa Lopes
Varginha/MG - Brasil, 19 anos, Escritora Amadora
9 textos (512 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/07/08 18:01)

Como anunciar aqui?




Ajude-nos a divulgar o Recanto das Letras.
Saiba como: clique aqui
Indique

Capa | Cadastro | Textos | Áudios | Autores | Mural | Fórum | Escrivaninha | Regras de Uso | Links | Anuncie | Ajuda | Contate-nos