PARAÍSO
Percorres todo o meu pomar à procura da melhor fruta.
Do pecado original, do puro deleite, do colorido enfeite...
Vais provando tudo, afagando texturas, experimentando firmezas, testando maturidades, lambendo sucos...
Abres uma romã, tensa de dádiva incontida, e mordiscas, bago a bago, com luxúria...
Embrenhas-te na frondosidade acolhedora das minhas árvores mais jucundas, fechas os olhos e delicias-te, saboreando o bem que a fruta te faz, doce, polposa, firme, sumarenta...
...e eu, teu paraíso, condescendo, dou-te todos os meus frutos...
...sem pecado original... quero-o duplicado, triplicado, quadruplicado...
Dama das Camélias
Publicado no Recanto das Letras em 20/06/2008
Código do texto: T1043530
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