Texto

Primeira vez entre aromas e sabores

{peço perdão se não é um texto de muita originalidade, tentei apenas ser simples e dar o maximo de sensualidade a um momento com o qual todas as mulheres sonham}

Já é quase noite, está a chuviscar. Tento encontrar as chaves de casa na mala, eu até nem sou do tipo que costuma ter a típica mala de senhora que “tem tudo mas nunca se encontra nada”, mas hoje... Por sorte o meu vizinho de cima vinha a sair:
 - Obrigada! Não encontro a chave e com a chuva a ficar mais forte torna-se ainda mais difícil.
 - De nada, tenta secar-te antes que apanhes uma constipação! - diz ele já a sair.
 E a chave? Não encontro o raio da chave! Não posso tê-la perdido, lembro-me de a ter guardado… Continuo a remexer e a dar voltas á mochila e eis que me lembro que a tinha colocado em cima da mesa quando tirei a carteira para ir pagar o café. Damn it!
 Quando já ia para sair de novo, mentalizada de que ia apanhar uma molha daquelas, oiço a porta de minha casa abrir-se. Volto-me para trás espantada, será que os meus pais afinal não foram de fim-de-semana? Olhei e lá estavas tu com cara de menino reguila que fez asneira.
 - Como…? - Não tive tempo de acabar a frase, mas era obvio que me tinhas larapiado a chave enquanto estávamos no café.
- A menina devia ter cuidado e não deixar a chave de casa perto de estranhos, principalmente quando os estranhos sabem onde mora!
 - Ah Ah Ah ! O menino está muito engraçadinho. - Ironizei entrando no jogo.
 - Só tive de esperar o momento oportuno. – Dizes-me fazendo uma careta.
Entro finalmente em casa, há cheiros a misturarem-se. O de chocolate com outro que não consigo identificar e alfazema.
 - Estiveste a cozinhar? – pergunto.
 - Eu disse que ia fazer-te uma surpresa mais cedo ou mais tarde.
 Dirijo-me á cozinha ansiosa por matar a minha curiosidade e tu logo me advertes e dizes para ir trocar de roupa. Dirijo-me então ao quarto e mais uma advertência, desta vez para não entrar no meu quarto e mudar-me no do meu irmão, dizendo que lá está tudo o que preciso. Pelo corredor encontro um ramo de alfazema, tu sabes  que adoro o cheiro da alfazema, junto a ele está um cartão com um poema de Alexandre O’neill escrito:
                        “… Palavras que os transportam
                            Onde a noite é mais forte,
                            Ao silencio dos amantes
                            Abraçados contra a morte.”
Sinto-te neste momento atrás de mim, faço jus ao poema e limito-me a abraçar-te e em silêncio dirijo-me ao quarto. Sempre nos entendemos muito bem no silencio, sabemos que cada momento de silencio exprime aquilo que as palavras por si só não conseguem dizer.
 Pensas-te em tudo, em cima da cama  estão as minhas calças de ganga largas, a minha blusa preta também larga e a roupa interior, tudo acompanhado de outro bilhete dizendo:
              “sei que gostas de te sentir confortável”
Dou um sorriso malicioso. Pego no roupão que está atrás da porta, o meu irmão não se importará que o utilize, e vou para a casa de banho.
 - Cherrie vou tomar banho. – Grito da casa de banho.
 - Está bem, demora o tempo que quiseres, eu estou a combater como teu fogão!
 - Espero realmente que ganhes, estou a ficar com fome! -  digo rindo e fecho a porta.
Dispo-me, sinto a minha pele fria graças á roupa que estava molhada, mas agora posso finalmente usufruir daquela água quente sobre o meu corpo. No início a diferença da minha temperatura e da água leva-me a um ponto entre o relaxamento e a dor. Aquela água parece abraçar-me transporta-me para o nosso primeiro beijo, foi algo tímido e muito pensado, há muito que o queríamos andávamos loucos, quase. Agora meses depois sei o quanto sortuda sou, não me arrependo de tudo ter acontecido como aconteceu, há vezes em que uma relação precisa de ser marinada e fomentada. Connosco assim foi e fico muito feliz que assim tenha sido.
Apercebo-me que já estou no duche á mais tempo do que devia. Passo o shâmpoo pelo cabelo e o sabonete pelo corpo, aquele de rosmaninho, salva e gengibre de que tanto gosto. Sinto a minha pele ficar mais macia, os meus seios já adivinham o que por aí vem. Ignoro-os por agora! Tiro a espuma e quando já ia a dar ouvidos á minha mente de novo, oiço bater na porta:
 - Estás bem? Eu disse que podias demorar mas já começo a ficar preocupado…
 - Estou, desculpa. Já não demoro…
Limpo-me e coloco o creme. Prefiro-o ao perfume, é mais natural! Visto-me apanho o cabelo e estou pronta.
 Abro a porta da casa de banho devagarinho e vou sorrateiramente até á cozinha, mal passo a porta e mesmo de costas dizes:
 - Esse cheiro sente-se á distância! – Dizes com aquela voz calma e forte. Viras-te e abraças-me, beijando suavemente os meus lábios. Era capaz de jurar nesta altura que ouvira a música celestial.
  - Vai até á sala, mais dois minutos e fica tudo pronto.
Entro na sala. Está tudo bastante simples: mesa para dois, lareira acesa e velas perfumadas. Odor a canela, como me conheces bem.
 - Coloca algo para ouvirmos. – Dizes ao entrar com um prato de peixe e verduras.
Escolho Adele , ela acompanhou-nos nos nosso primeiro beijo e acompanhará agora também. Sentamo-nos no chão. A mesa não é alta e comemos então á japonês.
 - Não sei se a comida será a melhor do mundo mas… - dizes tímido.
 -  Agrada-me o cheiro! – Pisco-te o olho e provo.
 - Fiz algo levezinho para deixar espaço para a sobremesa.
 - hummmm que será?!?
Comemos, saboreamos, conversamos de tudo um pouco, assunto é coisa que dificilmente nos falta. Terminamos entre olhares ternos e cúmplices, envoltos em melodias e cheiros que nos são familiares e atraentes.
 Começa então a passar aquela que é a nossa música. Levantas-te então.
 - Sei que a musica não se propicia á dança mas será que ainda assim a menina me concede essa honra?
 Olho-te nos olhos, sempre encantadores, de um negro profundo e fascinante, no qual me perco vezes sem conta. Dou-te a mão e beijo-te a bochecha com inocencia. Os nossos corpos encostam-se e podemos sentir o calor um do outro, os nossos odores misturam-se. Sinto o teu coração bater mais rápido e o teu perfume entranhar-se em mim, movimentamo-nos ao ritmo da música. Aquela voz transporta-me para memórias que com certeza não vou nunca esquecer, fecho os olhos e sinto-me a entrar noutra atmosfera. Sussurro a musica e logo os teus lábios beijam os meus num misto de ternura e violência, as nossas línguas querem-se com a raiva e a harmonia de uma sonata de Wagner, tem fome uma da outra e não se escondem mais numa calma aparente. Delicadamente, como sempre, beijando-me o pescoço conduzes-me até ao quarto.
As cortinas pretas deixam passar apenas a luz necessária, há velas, que logo acendes e outro pequeno ramo de alfazema sobre a minha almofada. Deitas-me sobre os lençóis, vermelho sangue, entre beijos e cariçías. A dada altura olhas-me nos olhos, pedindo permissão para o que vem a seguir. Passo os dedos pelos teus lábios, estão húmidos e quentes, posso ver no fundo do teu olhar que o sentimento ao qual no entregaremos é mutuo e profundo. Levanto a cabeça e as minhas palpebras caem e beijo-te docemente. Sinto as tuas mãos percorrem a minha pele, sabes sempre como e onde me tocar. Buscas perto de uma das almofadas algo. Uma rosa vermelha em que eu não havia reparado. Levemente deslizas as suas pétalas pela minha face , pelo meu pescoço beijando em seguida.
 Tiro a blusa. A minha pele branca contrasta com o vermelho vivo da rosa. Desliza-la sobre o meu peito, fazendo-a passar entre os meus seios docemente até ao umbigo. Passeia-la várias vezes no meu ventre e a minha respiração parece querer cessar, o ar deixa de ser suficiente. Voltas então a beijar-me os lábios e de uma vez só eu deixo-te deitado no meu lugar.
 - É a minha vez agora! - sussurro-te ao ouvido e tu respondes com um sorriso malicioso. Beijo-te com vontade e dispo-te a camisa, com os dedos a tremelicar de desejo e receio.
Levanto-me, ordenando-te que fiques quieto e vou até á cozinha, por lá deixo as minhas calças e retiro dois cubos de gelo do congelador. Volto ao quarto e peço-te que feches os olhos, sento-me sobre o teu ventre sentido o calor da tua excitação. Passo o primeiro cubo de gelo pelos teus lábios e atrás das tuas orelhas, gemes baixinho. Coloco-te o cubo de gelo na boca e beijo-te, juntos desfaze-lo-emos. Antes que outro derreta, apresso-me a passeá-lo pela tua zona abdominal soprando ao mesmo tempo, aumentado a sensação de frio que te faz de novo gemer e respirar fundo, as tuas mãos passeiam nas minhas pernas enquanto tentas aguentar um pouco mais toda aquela luxúria. O pedaço de gelo que ainda falta coloco-o na boca e mordo, tentas sentar-te mas eu impeço-te beijando-te. Os nossos troncos estão colados, sentimos as nossas respirações e o bater nos nossos corações que parecem querer figir de nós. A minha mão desliza até ao botão das tuas calças, abro-as e ajudo-te a despi-las. Enquanto me beijas e mordiscas o pescoço lutas contra o meu soutien, levo as minhas mãos ás tuas e ajudo-te. Logo que me livro dele sinto a teus lábios húmidos acariciarem-me os seios, cujo o grau de excitação está além estrelas. As tuas mãos passeiam alegremente entre as minhas costas e a minha cintura. As minhas combatem os tremores no teu peito, firme. Não tens um físico demasiado austero e eu gosto dele assim.
 Deitas-me de novo, deambulas os teus dedos no meu ventre ajudas-me a retirar o único pedaço de roupa que falta e fazes o mesmo. Abres ligeiramente as minhas pernas e sinto os teus dedos deslizarem até ao ponto fulcral, mordo os lábios e sinto aquele calor insuportavelmente excitante. Não aguento muito mais e sussurro-te  ao ouvido:
 - Quero-te em mim. – olhas-me com ternura, beijas-me e colocas o milagroso, que esperava ansiosamente na gaveta.
Sentas-me no teu colo e sinto que me penetras, sinto um pouco de dor, tu sabe-lo e és carinhoso dizendo:
- Não temos pressa…
 Aos poucos a dor dá lugar ao prazer. Iniciamos movimentos rítmicos acompanhados de músicas que nunca ouvimos. A sintonia torna-se perfeita. Inicialmente ouvimos o violinos típicos dos filmes românticos, em seguida o piano nervoso e agitado dos grandes compositores, passando finalmente aos tambores das tribos selvagens, ainda por descobrir neste mundo de todos e de ninguém! Viajo a mil lugares diferentes e desconhecidamente conhecidos, e vejo mil rostos e expressões diferentes. Nenhum capaz de mostrar o sentimento e a emoção que nos envolve neste momento, quando estamos prestes a explodir em pura luxúria deitas-me e sinto-te como se fossemos apenas um, os meus dedos perdidos entre o teu cabelo e as tuas costas e os teus entre os meu pescoço e os meus seios. Chegamos por fim ao auge da nossa viagem, explodem em nós pedaços de tudo o que já vivemos e continuaremos a viver. Permanecemos abraçados alguns minutos até que os nossos corpos caem exaustos e saciados, ao lado um do outro. Adormecemos a olhar nos olhos um do outro, neles está escrito em letras maiúsculas um amo-te profundo e sincero. Não o dizemos. Há coisas que não se dizem. Sentem-se.
Sinto-te mexer, passadas umas horas. A noite já vai alta. Pergunto-te onde vais tu dizes:
 - Ainda não comemos a sobremesa! - Piscas-me o olho e vais para a cozinha, eu aproveito para tomar um duche. Passado um bocado apareces trazendo uma taça de mousse de chocolate com duas colheres.
- Há que recuperar energias! - Dizes.
Fazemo-nos á mousse, dizemos tolices e brincamos como crianças que ainda somos, ate que adormecemos embalados pela chuva, a unica testemunha do deleite do nosso sentimento e que agora parece  estas a cantar só para nós.



 
 
       
SophieVonTeschen
Publicado no Recanto das Letras em 06/07/2008
Código do texto: T1067689
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Comentários
18/08/2008 09h43 - Miguel Lanzarote Lúcio
talvez o melhor texto erótico que já li...e sinceramente invejo-te por escreveres assim e só teres a idade que tens.

Sobre a autora
SophieVonTeschen
Portugal, 18 anos, Escritora Amadora
124 textos (5973 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 13/10/08 04:50)





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