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THE QUEEN IS DEAD - THE SMITHS

Eu conhecia a banda inglesa The Smiths apenas pelo hit “The Boy With The Thorn In His Side” (um gaiato traduziu como “O Rapaz Com a  Tora Atrás”) que tocou exaustivamente nas rádios. O som básico, sem muita eletrônica, com a marca registrada da guitarra de Johnny Marr acompanhada do baixo de Andy Rourke e da bateria de Mike Joyce me atraiu instantaneamente.

Acima de tudo, a voz melancólica de Stephen Patrick Morrissey, poeta de primeira linha, cantando as angústias de um pobre e delicado rapaz do norte da Inglaterra perdido em um mundo industrial frio e cruel. Apesar de tanta veadagem, influenciou muita gente como, por exemplo, o Legião Urbana aqui no Brasil. Aliás, se este mundo fosse justo, aquela batida de “Tempo Perdido” deveria pagar royalties aos rapazes de Manchester.

“The Queen is Dead” é um disco perfeito. A faixa título, que abre o disco, é hilariante, com Morrissey invadindo o palácio de Buckingham disfarçado de faxineiro. Gozação pura com a família real britânica. O deboche continua com “Frankly, Mr Shankly”, cuja letra debocha de certos caras metidos a poeta e que só escrevem porcarias melosas. No final o cantor suspira, bem ao seu estilo que ficaria famoso: “fame fatal fame it could play hideous tricks on the brain still I’d rather be famous than righteous or holly any day”. Pensando bem, eu também preferia ser famoso a ser feliz.

“I Know Is Over” é uma pérola de angústia adolescente. Renato Russo deve ter ouvido muito aquele refrão final em que o cantor berra “oh mother I can feel the soil falling over my head”. Morrissey lia muito Oscar Wilde, de quem chegou a escrever uma biografia. Aliás, o fantasma do autor da Balada do Cárcere aparece para ele na canção “Cemetery Gates”.

Depois vem a antológica “Bigmouth Strikes Again”, em que ele pede desculpas à namorada por ter dito que ela deveria ter todos os dentes da boca arrancados à base de porrada. E ainda reclama por estar se sentindo como a Joana D’Arc “as the flame roses her roman nose and her walkman start to melt”. A guitarrada acústica de Marr nesta canção é inesquecível.

Pulando a faixa já citada “The Boy With The Thorn In His Side”, temos outra pérola eterna da banda: “There Is A Light That Never Goes Out “. Lindamente moldada à batida e acompanhada por uma flauta, a voz de Morrissey pede desesperadamente que seu amor o leve para dar um passeio pela noite. E que vai achar lindo se eles forem atropelados por um Double Deck Bus. “The Queen Is Dead” é obra obrigatória em qualquer discoteca que se preze.
Jimii
Publicado no Recanto das Letras em 05/11/2009
Código do texto: T1907495

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Comentários
08/11/2009 20h59 - Luís Cristóvão
Ótima resenha. "The Queen is Dead" é fenomenal, o melhor dos Smiths. A influência deles no trabalho da Legião Urbana é realmente evidente. Um abraço.
07/11/2009 14h14 - Jacques Levin
Apesar de não ter discoteca de rock, acredito que faz sucesso em Bagdá. Abç. JL.
06/11/2009 19h23 - Ester Farias de Oliveira
Confesso que não entendo muito sobre tudo que vc esposou, mas a sua empolgação e disposição em transmitir toda essa energia me fez querer estudar mais sobre tudo isso. Parabéns.

Sobre o autor
Jimii
Vitória/ES - Brasil
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