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Mostra Olhar do Ceará no espelho

 
 
Quando se aproximava o 19º Cine Ceará, uma grande expectativa me arrebatava. Apesar de todas as possibilidades de novos filmes que um festival ibero-americano poderia me oferecer, estava antes de qualquer coisa voltado a uma sessão específica, essa, aliás, que gosto de acompanhar todos os anos: Mostra  olhar do Ceará.
 
Tenho uma curiosidade nela mais do que qualquer outra, por que é nela em que posso perceber como estamos em produção, como se manifesta o cinema nordestino. Conhecemos a multiplicidade do olhar direcionado pelo audiovisual, em suas diferentes linguagens e que por essa gama de variações, por si só, já seria a própria explicação de não nos agradarmos com todas as realizações que, profissionais ou amadoras, estão se fazendo representar.
 
As sessões são lotadas e no meio delas encontramos realilzadores, amigos dos realizadores e o elemento mais importante: o curioso cinéfilo. Este sai de sua casa, as vezes num horário inconveniente de uma projeção das 14 horas, para além de assistir os filmes, escutar a palavra dos realizadores ao defender o seu trabalho, pena que nem todos os diretores podiam estar por lá.
 
E nessa festa do audiovisual cearense, muitas opiniões se chocam. A organização declara um sucesso pelo simples fato de as salas estarem preenchidas, mas realizadores se queixam da evasão das salas após algumas exibições dos curtas. Na verdade temos um fato de existem pessoas que vão apenas para ver um determinado filme e depois não se interessam em assistir mais nada, ou podem estar ligados a um compromisso que só lhes permitiria assistir poucos filmes, etc. Seria uma verdadeira discussão de sexos dos anjos para tentar descobrir os motivos de ausência ou permanência de alguém na sala de cinema.
 
Devemos antes de mais nada respeitar a atitude de estar ou se ausentar da sala, bem como respeitar as projeções que lá estavam a serem exibidas. A mostra é o possível espaço que esse realizador terá em mostrar o seu trabalho sem uma censura de um curador.A subjetividade se mostra mais livre, seja qual for a linha experimentada. A facilidade em se utilizar o meio digital proporcionou uma maior possibilidade de pessoas terem como uma manifestação humana o cinema. E mesmo que não se tornem “cineastas” ( E o que é um cineasta mesmo?), estarão mais vivos pelo simples fato de se dedicarem ao realizar a arte. E mesmo que os possíveis videos não  chegarem até nós por vários motivos, técnicos ou subjetivos, estar assistindo tais projeções é uma forma de apoiar o cinema local. Devemos perceber o que vem por trás desse trabalho.Afinal o que faz um filme ser aceitável para o nosso olhar? E em muitas vezes a nossa própria produção não agrada um público exigente - sendo eles estudiosos ou não - e apreciador da manifestação audiovisual contemporânea. Posso não ter gostado de muitos dos filmes que estavam lá sendo projetados, mas defendo que todos tenham o seu espaço, pois todos tem o direito de se manifestar artisticamente e interagir com os outros.
   

 

Márcio Araújo
Publicado no Recanto das Letras em 24/10/2009
Código do texto: T1884482

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Sobre o autor
Márcio Araújo
Fortaleza/CE - Brasil, 31 anos
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