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| REFLEXÕES SOBRE O LIVRO FERNÃO CAPELO GAIVOTA Richard Bach foi piloto da Força Aérea Americana e Fernão Capelo Gaivota foi seu primeiro sucesso literário publicado em 1970. O livro relata a história de uma gaivota que quebrou todas as barreiras porque queria voar até o infinito. Essa gaivota se recusou a aceitar a imposição de que era limitada. Ignorou o espírito de manada e treinou incansavelmente, perseguindo o seu sonho maior. É sobre essa garra e determinação de quem reescreve a própria história que vamos discorrer. Fernão Capelo Gaivota tinha como maior objeto voar sempre mais alto, vencendo as próprias limitações até chegar à perfeição. As outras gaivotas do bando ignoravam esse seu jeito de ser. Elas aceitaram o perfil imposto: gaivotas não voam como os gaviões, e pronto. Mas Fernão era questionador por natureza, seu espírito revolto não aceitava as barreiras impostas. Por que não podia voar rápido como os falcões? Por que não podia voar à noite como as corujas? Por que não podia fazer vôos rasantes como os pelicanos e albatrozes? Às vezes parecemos talhados em pedra. Não conseguimos ceder para aprender. Fernão pagou um preço muito alto por se recusar a seguir o destino traçado para o Bando. Foi julgado, banido do Bando. Fernão voou até o céu. Então ele descobriu que ali havia gaivotas que pensavam como ele. Elas também tinham o mesmo sonho: ir além da mesmice, superar obstáculos, vencer a si mesmas. Tocamos o céu cada vez que crescemos espiritualmente. A perfeição não tem limites. As gaivotas que temem a estrada para a perfeição, não voam além da mediocridade. As que corajosamente enfrentam os desafios porque desconfiam de tudo que é finito, vão a qualquer lugar sempre que quiserem. Para vencer as próprias limitações é preciso acreditar que pode. É preciso sentir que já conseguiu. É preciso ignorar que nos encontramos presos dentro de um corpo limitado. Nosso voo mais difícil será aquele que nos levará ao aprendizado do verdadeiro significado da bondade e do amor. Afastemos a idéia de limitação e alçaremos voos ao infinito. Jesus, a nossa Grande Gaivota, foi ele mesmo, com toda a liberdade. Fez o vôo mais perfeito, além dos limites do próprio corpo. Também ele foi considerado um pária pelo Bando. Contudo, levou o seu projeto até o fim. Não temeu, não recuou. Avançou sempre, mais e mais. O Bando continuou na terra preso à própria limitação, não por falta de estímulo, convite, exemplo. Simplesmente porque não acreditou que seria capaz de vencer, de se tornar maior, de alçar voo para novos horizontes. Precisamos praticar a nossa visão e todos os nossos sentidos, até a exaustão, para que possamos ver a Luz Verdadeira em cada ser humano. Ou, na alegoria de Bach "A gente tem que praticar e ver a gaivota autêntica, o bem em todas elas, e ajudá-las a vê-lo em si mesmas. Foi isso o que eu quis dizer com amor. E é divertido, quando a gente pega o jeito da coisa”. Quando Jesus nos deixou ele quis que usássemos os seus ricos ensinamentos, praticássemos os seus exemplos, descobríssemos a nós mesmos, um pouco mais todos os dias. A felicidade suprema de um ser humano será no dia em que ele, ainda que por apenas um átimo de instante puder ver as pessoas como Jesus as vê. Então, nesse dia se realizará a Jerusalém celeste dentro do nosso coração: não haverá mais medo, ressentimento, raiva, ódio, ciúmes. Só o amor comandará a nossa vida. Compreenderemos que o céu não é um lugar, mas um estado de espírito. Iara Mesquita Escrito em 11/03/06, com ajustes em algumas palavras em 25/10/09, decorrentes do Novo Acordo Ortográfico |
| Iara Mesquita |
| Publicado no Recanto das Letras em 25/10/2009 Código do texto: T1886394 |
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Iara Mesquita
Fortaleza/CE - Brasil
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