Texto

Vida Póstuma

Vem a escuridão como a noite que vem,
Trazendo o medo que todos sentirão.
É a cor sinistra, pois a vida não a tem,
Com o amargo sabor da destruição.

Tudo isso vem das profundezas ? Não,
Mas virá do sentimento do ninguém,
Que se alimenta da vida sob o chão,
Nas filas de almas que fogem desse bem.

Por mais inerte que se mantenha,
Não escapará dessa triste doença,
Mas se o bem supérfluo vir, não o detenha.

Deixe-o navegar pelo imenso anil,
Pois o que conta é o valor da crença,
Por mais fundo que esteja do barril.
Reinaldo Ferraz
Publicado no Recanto das Letras em 29/05/2008
Código do texto: T1010789

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Comentários
31/05/2008 22h29 -
O título, Vida póstuma, é muito, muito bom. E as palavras tem vida, que não é póstuma, e sim postas, com maestria nesse soneto-canção. Quero mais sonetos teus! Carla Carbatti
30/05/2008 08h58 - JESSÉ BARBOSA
este poema, na minha ótica, fala sobre a fugacidade da vida e a consciência da onipresença da morte. gostei do seu olhar sobre ela.
29/05/2008 23h40 - Moacir Silva Papacosta
Excelente poeta. O Recanto das Letras o recebe de braços abertos. Parabéns! Um forte abraço

Sobre o autor
Reinaldo Ferraz
São Paulo/SP - Brasil, 32 anos
7 textos (1614 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/11/09 03:57)

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