Luar do Sertão
Luar do Sertão
Cândido
Ó luar que ainda és o suplemento
Duma insubsistente agricultura,
Onde só tu és fonte de fartura
No destino dum povo tão sedento.
Escuta o som dolente dum lamento
Do Sertão, onde a vida é uma aventura.
E a aridez insondável da amargura,
Vem te pedir um pouco de alimento.
Ó gente de bravio coração!
Deixa que eu pinte um verso em teu sertão
Em forma de oração a tanta mágoa.
Quem sabe o São Francisco se comove,
Aponta a Deus um Céu que nunca chove,
E ganha a bênção duma gota de água.
Cândido
Cândido
Publicado no Recanto das Letras em 07/11/2009
Código do texto: T1910507
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