Texto

"III sonetos à morte".

Ei, quem é você?... - Pergunto... - Me diga por favor!
Depois me diga:... - Que estranha paisagem é essa?
E, por qual razão é que você, enfim, vem e me apressa?
Quem é você?... - Ó cara!... - Ei, me diga por favor!

Não... - eu não acredito nisto e creio que nem é verdade,
Você é, apenas, em minha estrada mais um crasso impostor,
Vestido com a capa escarlate que insufla o grilhão da dor,
Dizendo-me:... - Creia! Você partiu, veio para a eternidade.

Vamos!... - Você é o Pedro, o João ou, simplesmente, é Deus?
Que me vem, apenas, com o intuito de julgar os atos meus,
Nesse protótipo da singela tal de eternidade.

Vamos!... - Me conta tudo, agora, e não me esconda nada,
Senão eu desço os degraus que compõem a longa escada,
Que me conduz ao pé da incontestável realidade.

II
Que história é essa, ó cara!.. - Que você senta e me conta?
Que eu estava, ora essa; bêbado e dentro de um Mercedes.
E, por que se utilizar do argumento; usar o imperativo vede?
Se o que me faz agora, no momento, é uma da maior afronta.

Você não é o Pedro, não é oJoão, nem Deus, mas é o Tomé,
Tentanto me convencer, ó cara!... - Dessa sua irreal loucura,
De que sofri, há pouco, a mais crassa de minha desventura,
Com a separação de minha alma e de meu corpo, ora se é!

Espera; me aclara; que rosas são essas que, nuas, iluminam a rua?
Que flores são essas que, indiferentes, simulam, imitam a luz do Lua?
E, que vem nos envolver na lúbrica claridade.

Bem, eu sou o José, o Lopes é, sim, este o meu real nome,
Mas, Yoseph Yomshyshy é uma espécie real de codinome,
O qual vai me perpetuar diante da historicidade.

III
Quero dissecar, da vida, os acontecimentos; cara não me corta,
À duzentos e vinte quilômetros, a Mercedes me voa em Alagados,
É meia-noite e os meus faróis, sinceramente, estão apagados,
Como naquele simulacro que se mostra, ali, atrás daquela porta.

Por que razão nessas imagens virtuais eu me mostro afoito?
Diante desses argumentos tão reais que, ora, venho e cubro,
Me lembro que, ontem, era, sim, o dia oito do mês de outubro,
Do terceiro milênio, no ano domini de dois mil e trinta e oito.

É esse, sim, o dia em que destina-se na minha historicidade,
Para o desenlace sutil do corpo e da alma na minha eternidade,
E, agora, entendo que os fatos são verdades.

Pois é esse o dia destinado ao sufrágio da minha morte,
Que é tão minha, como tão minha me é a própria sorte,
E, a qual eu não me livro, pois é a realidade.

YOSEPH YOMSHYSHY
Publicado no Recanto das Letras em 15/05/2008
Código do texto: T990812

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Sobre o autor
YOSEPH YOMSHYSHY
Arujá/SP - Brasil, 65 anos, Escritor Profissional
248 textos (8419 leituras)
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