Texto

Análise do texto “O búfalo” de Clarice Lispector



Percebe-se no texto, “O búfalo” de Clarice Lispector, dentre outros aspectos, a problemática da solidão e do ódio.
A personagem era uma pessoa solitária que estava à procura de si mesma.
Nesse sentido, a personagem procura se identificar com os animais porque, acredita que os mesmos, como seres que vivem enjaulados, devem ser solitários e devem odiar a si e aos outros.
Para o homem, os animais são irracionais e por isso não têm a capacidade de amar. No entanto, ao chegar ao zoológico a personagem-mulher se depara com um animal, talvez o mais violento, o que mais deveria odiar e ser odiado, o leão. Porém, o rei dos animais, estava demonstrando um ato de amor à sua companheira.

“Até o leão lambeu a testa glaba da leoa”

A personagem mostra admiração ao se deparar com tal fato.

“Mas isso é amor, é amor de novo”

A personagem parece ter ficado revoltada ao ver um ato de amor praticado por um animal que, segundo ela, deveria ser solitário e odioso.

A mulher procura ainda outros animais para ver se neles ela encontraria a si mesma ou "aprendia" a odiar.

No final  da narrativa, a personagem se encontra com o búfalo e, ao olhar diretamente em seus olhos , ela encontra um ser solitário, com o qual parece identificar-se.

“E os olhos do búfalo, os olhos olharam seus olhos. E uma palidez tão funda foi trocada que a mulher se entorpeceu dormente”
Hellen Dias
Publicado no Recanto das Letras em 08/05/2008
Código do texto: T980529

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Comentários
06/06/2008 13h47 - Douglas Paulino
Olá Helen! Interessante a análise que faz desse conto clariceano. Como você observou a relação homem/animal é um dos eixos centrais. Concordo com suas observações, acrescentaria a elas o fato de a personagem não encontrar nos animais o preenchimento interior que buscava no zoológico. Isso fica no intertexto, já que a cena final, a do confronto com o búfalo, sugere o suicídio da personagem. Isso talvez seja justificado pelo fato de não apenas os animais estarem enjaulados, mas ele tembém, enjaulada em si mesma, metaforizada nas grades que enjaulam os animais, formando em torno dela, outras grades. Grande abraço e parabéns pelo texto!
04/06/2008 12h29 - Vilma
Oi, Hellen, gostei da tua análise desse lindo conto de Clarisse. Parabéns! Bjs, vilma

Sobre a autora
Hellen Dias
Goiânia/GO - Brasil, 27 anos, Leitora
11 textos (1555 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/07/08 18:32)

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