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Texto
POETRIX OU HAIKAI? Recentemente, aqui no Recanto, tive a satisfação de conhecer Felipe Teixeira através de seus textos, bons, por sinal. Mas, cearensidade à parte (somos comedores de rapadura, rsrsrs), travamos uma discussão salutar sobre o que é ser poetrix e haikai... Ele afirma que suas expressões textuais são haikais, Contraponho-me dizendo ser poetrix. Bem, como estamos num tête-a-tête, num “cobra engolindo cobra”, nada mais diplomático, cedermos espaço a quem poderá jogar luzes e clarear as nossas mentes acerca, dirimindo nossas dúvidas, deitando por terra nossa teimosia, que está virando um “martelo agalopado”... Recentemente, Felipe Teixeira, meu jovem amigo, postou uns versos, intitulado DECISÃO, dizendo ser haikai: DECISÃO Já não há dilema Está tudo decidido Uma nova história Também coloquei um (tenho vários), reivindicando ser haikai: na beira do mar, as jangadas-borboletas, um panapaná. Servindo-me dos textos expostos, para termos uma definição clara do que venha a ser o que é poetrix e haikai, resgato pronunciamentos de uma pessoa que reputo sumidade acerca. Falo de Kathleen Lessa, socióloga, professora de português, francês, com vários textos e trabalhos postados aqui no RL. Vejamos o que ela nos diz sobre haikai: “o haikai tem um total de 17 sílabas poéticas (5/7/5);” “o haikai versa sobre a natureza: estações do ano, flores, frutos, animais, tempo, clima, etc. É um “instantâneo” da natureza, uma referência, em tempo real, ou seja: “acontece” no momento em que é escrito; entendamos que o haikai é como um flash fotográfico, apresentando a inspiração que o autor captou ao observar uma cena;” “no haikai o autor não interfere na ação. Só observa e narra o momento;” “o haikai não admite título;” “o haikai não permite versos iniciados por maiúsculas;” “a rima pode existir ou não no haikai.” Um haikai de Kathleen Lessa: cabelos-de-vênus misturando-se ao perfume das damas-da-noite. Sobre o poetrix, nos fala Kathleen Lessa: “o poetrix pode ter até 30 sílabas poéticas, divididas como o autor quiser. Exemplos: 6/9/4 ou 10/10/10 ou 15/5/10 ou 7/7/15 ou 5/8/6 etc” “o poetrix versa sobre qualquer tema e pode acontecer no passado, presente ou futuro;” “no poetrix o autor pode aparecer, interferir, falar de si, expor sentimentos;” “no poetrix o título é obrigatório;” “o poetrix pode ter ou não maiúsculas iniciais em cada verso;” “a rima pode existir ou não no poetrix.” Um poetrix de Kathleen Lessa: TOMA LÁ, DÁ CÁ... Amor com amor se paga. Devo lembrar, entretanto, Que às vezes falta cacife! Como bem diz Kathleen Lessa, notamos no poetrix, mais liberdade de se trabalhar os versos em sua formatação, inclusive, desenvolvi um modo de poetrix, onde o título, que não faz parte da contagem silábica exigida, deste interagir fortemente como figura-sentimento, corpórea do poetrix. Vejamos este exemplo: dor... Do amor, Queres senti-la... Amas e terás Bem, espero que, com este breve arrazoado, com a colaboração (excertos pinçados) desta maravilhosa menina, Kathleen Lessa, pela qual nutro uma afeição desmedida, espero ter contribuído em termos de Teoria Literária. Recomendo aos que me leram, que mais esclarecimentos sobre o tema encontrarão na escrivaninha desta meiga figura intelecta, que atende por Kathleen Lessa.
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| José Augusto de Oliveira |
| Publicado no Recanto das Letras em 09/05/2008 Código do texto: T982288 |
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Sobre o autor

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José Augusto de Oliveira
Fortaleza/CE - Brasil, Escritor Amador
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